Liberal que já era e conhecido como tal, Teixeira Girão foi, na sequência da revolução de 1820, eleito por Trás-os-Montes deputado às Cortes Constituintes. Embora moderado nas suas intervenções, em 1823, sobrevindo a «viradeira», foram prendê-lo a Vilarinho e deportaram-no, na companhia do conterrâneo Manuel Gonçalves de Miranda, também deputado constituinte, para o Algarve. Em 1826, já livre, com a subida de D. Pedro IV ao trono, foi nomeado provedor do Papel Selado e de novo eleito deputado. Mas logo em 1828, com D. Miguel, voltaram as perseguições, e teve de se esconder em Lisboa, para não ir parar ao Limoeiro e a S. Julião da Barra. E foram estes, agora, os cinco anos e dois meses que passou homiziado, quase sempre escondido num desvão de telhado, período todavia o mais fecundo do seu trabalho intelectual, a avaliar pelas obras entretanto escritas e publicadas de 1833 a 1835: além das Histórias de Meninos, a Memória sobre os Pesos e Medidas de Portugal (1833), a já referida sobre a Companhia dos Vinhos (1833), outra sobre a economia do combustível (1834), A Química Ensinada em 26 Lições (1834), Economia Rural e Doméstica, ou Ensaio sobre os Gados Lanígero e Cornígero (2 volumes, 1835), e ainda, tornando, como tradutor, à poesia a que sacrificara antes, a Tradução Livre ou Imitação do Lutrin, ou Estante do Coro, de Boileau (1834). Acrescendo desenhos e pinturas, que nunca deu a conhecer publicamente, mas que fazia desde o tempo em que recebeu lições, em Mateus, de Correia de Matos.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
sábado, 27 de dezembro de 2008
Navegações dos Portugueses - Henrique Lopes de Mendonça
Mas, à semelhança da antiga Fenícia, os portugueses sentiam-se magoados pelo cíngulo da fronteira terrestre. Seus olhos cismadores perscrutavam as amplidões do mar, que se estendiam a oeste e ao sul, o mar que os abastecia como uchão munificente, que os namorava como fonte de incomparável beleza, que os atraía como escrínio de incríveis opulências. Ali, desde o início da sua existência independente, anteviram a rota de glória que lhes marcava o Destino.
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Praia - Sophia de Mello Breyner Andresen
Nos bancos verdes, encostados às paredes brancas, cobertas até ao meio por grades de madeira verde, estavam pequenos grupos de pessoas sentadas em frente das mesas verdes.
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Prefácio a Histórias de Meninos, do Visconde de Vilarinho de São Romão - Pedro da Silveira
Como agricultor, o futuro Visconde de Vilarinho de São Romão nunca se conformou com seguir a rotina. Experimentando e lendo, procurou vencer o atraso dos nossos métodos explorativos, em especial no tocante à viticultura. E daí resultou, em 1822, dar a público a sua primeira grande obra, até há poucas décadas inultrapassada entre nós: o Tratado Teórico e Prático da Agricultura das Vinhas. Homem que sempre foi de à teoria juntar a prática, também conceberia e ofereceu à Academia Real das Ciências, que o recebeu entre os seus sócios, uma máquina de sua invenção, depois divulgada, cujo emprego na fabicação dos vinhos resultava num trabalho mais perfeito e em notável economia de tempo. O mesmo que veio a acontecer com outro seu invento técnico: a supressão do condensador e do balanceiro nas máquinas a vapor de Watt, resultando numa apreciável economia de força e, portanto, de combustível.
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