Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias de Bulhão Pato. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias de Bulhão Pato. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

As crianças têm disto!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Eram ciúmes.

domingo, 18 de outubro de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Depois desatei num choro apaixonado.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Que linda rapariga e como os cortejos abundavam! Salomé era folgazã e alegre. Os alegres quase sempre são bons. Em a vendo enlaçada ao seu par, requebrando voluptuosamente o corpo e os braços nos meneios daquela dança, davam-me uns ímpetos de furor despropositado. De uma vez saltei a ela, marinhando como um gato assanhado, arranquei-lhe o lenço de seda de cores brilhantes que punha na cabeça -- na forma do mais gracioso toucado -- e lavei-lhe a cara com as unhas!

sábado, 26 de setembro de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Eu é que era um flagelo, um verdadeiro demónio para Maria Salomé, a minha ama, nessas tardes ruidosas e festivais. A ela, em ouvindo o tamboril, dava-lhe a vertigem da dança e do canto.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

As senhoras de sangre azul dançavam com o primeiro camponês que viesse tirá-las. Recusar seria caso inaudito e estrepitoso. Estavamos nas terras dos fueros. Daquele sangue não saía o carrasco. O soberbo e sombrio Fernando VII entrou -- a pé -- nas ruas de Bilbau.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

A voz, extensa e afinada, gorgeando os zorzigos, que correspondem às malagueñas e playeras dos andaluzes. A pandeireta revolutenado nos ares.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

As raparigas com as duas tranças, longas, atadas nas extremidades com laços de fitas de cores variadas e fortes; na cabeça uma flor do campo. A saia curta, a perna redonda, os jarretes finos, mas de ferro, como os seus monte nativos.

sábado, 22 de agosto de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Que alegria de gente, que salubridade e vigor de povo!

sábado, 8 de agosto de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Havia, além do tamboril, o jogo da péla e o da barra, exercícios violentíssimos.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Às tardes, nos domingos e dias festivos, havia tamboril e baile na praça da povoação, em frente da igreja. Nesses dias tudo corria à festa: crianças, raparigas, rapazes, mulheres e homens casados. Um delírio!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

A vila onde vivíamos, em Deusto, era uma casa antiga. Ficava dentro de uma grande quinta, que se estendia até à beira da ria, daquela famosa ria onde se pescavam as angulas -- desconhecidas em toda a outra parte, que eu tenha notícia -- uma espécia de enguias muito delgadas, de um sabor esquisito, finíssimo. Iam, nesse tempo, para Madrid em neve; hoje irão facilmente pelo caminho-de-ferro.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

O nosso distinto pintor Marciano Henriques da Silva disse-me que o havia conhecido em Itália, velho já, porém, são e vigoroso, usando o mesmo nome -- Augusto de Belvedere -- e sendo um restaurador de mérito.

terça-feira, 7 de julho de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Era realista. Meu pai não o interrogou nunca sobre a sua procedência; para meu pai tinha a mais respeitável de todas -- ser inteligente, pobre, expatriado, infeliz.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Belvedere!?... O seu apelido foi para nós sempre um mistério! Tinha emigrado de Lisboa, depois dos acontecimentos de 1833.

domingo, 14 de junho de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Este moço pintor, que não alcançou um nome distinto na arte, tinha rara habilidade para apanhar semelhanças. Os retratos que tirou são como fotografias.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O XAILE DE MARIA SALOMÉ - Bulhão Pato

Para nos deixar uma lembrança e recordação grata, retratou a meu pai, minha mãe, minha irmã e a mim, que tinha pouco mais de cinco anos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O Xaile de Maria Salomé - Bulhão Pato

Tive o seu retrato, que, infelizmente, um acaso destruiu, há três anos, numa mal agoirada mudança. Era em papel e feito por Augusto de Belvedere, um português emigrado, que se hospedou muitos meses em nossa casa. (2)

(2) O Xaile de Maria Salomé foi publicado no jornal A Arte. Muito tempo depois recebi, de letra desconhecida, uma carta. Era de Augusto de Belvedere, que tinha visto o meu artigo e me escrevia, narrando-me alguns passos da sua vida. Tinha tomado aquele nome para fugir a perseguições, quando se estabeleceu o governo constitucional. O seu verdadeiro nome era José Vicente de Sales. Fora pensionado em Roma, para estudar pintura, por D. João VI e depois por D. Miguel de Bragança. O pobre velho terminava a extensa carta por estas palavras: «Vivo hoje na cidade de Braga, minha pátria nativa, precisando do mais necessário à vida e com 84 anos.» Um ano depois, passando por Braga, fui visitá-lo. Estava ainda de boa aparência e comoveu-se muito, lembrando-se que me havia retratado quando eu tinha quatro anos.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O Xaile de Maria Salomé - Bulhão Pato

Tinha uma massa de cabelos tal que, ao sacudi-los, cobriam-lhe densamente os ombros e os peitos, e quando, com ímpeto e esforço, os agarrava de ambas as mãos, deitando-os para trás por um elegante movimento de cabeça, feito no mesmo sentido, saltavam-lhe em ondas até ao artelho! Os olhos castanhos, transparentes, vivíssimos, admiráveis!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O Xaile de Maria Salomé - Bulhão Pato

Era de mediana estatura e morena.

Acerca de mim