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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

ÁRVORE - Carlos de Oliveira

VII

é então que vejo
no halo mais antigo
a árvore desolada,
os ramos em que poisam
as aves
doutros livros,
e pressinto
as raízes
através da sílica
onde a família dorme
com os ossos dispostos
nessa arquitectura
duvidosa
de símbolos

quarta-feira, 15 de julho de 2009

ÁRVORE - Carlos de Oliveira

V

e perseguir-me
assim,
se a areia
donde vêm
já vitrificada
pelo tempo
oculta
a árvore que morreu:

procuram
instalar-se
no interior da linguagem
ou substituí-la
por uma
infiltração

quinta-feira, 9 de julho de 2009

ÁRVORE - Carlos de Oliveira

IV

no poema,
se a árvore
foi dispersa
em pranchas de soalho,
em móveis e baús
que fecham
para sempre
coisas
tão esquecidas,
como podem
romper
de súbito impetuosas
na aridez
do livro

quarta-feira, 1 de julho de 2009

ÁRVORE - Carlos de Oliveira

III

seguindo o fio
da tinta
que desenha
as palavras
e tenta
fugir ao tumulto
em que as raízes
grassam,
engrossam, embaraçam
a escrita
e o escritor:

como podem
crescer de tal modo

domingo, 21 de junho de 2009

ÁRVORE - Carlos de Oliveira

II

talvez poços,
secretas
fontes primitivas,
depósitos, recessos
onde haja
um pouco de água
que as raízes
procuram
de página
em página
com a sua obsessão,
múltiplos filamentos
trepassando
o papel,

sábado, 13 de junho de 2009

ÁRVORE - Carlos de Oliveira

I

As raízes da árvore
rebentam
nesta página
inesperadamente
por um motivo
obscuro
ou sem nenhum motivo,
invadem o poema
e estalam
monstruosas
buscando qualquer coisa
que está em estratos fundos,

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