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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Prefácio a Histórias de Meninos, do Visconde de Vilarinho de São Romão - Pedro da Silveira

Escreveu-o outro transmontano, de Murça, Domingos Monteiro [de Albuquerque Amaral] (1744-1830), além de poeta, com o melhor de sua obra inédito, magistrado que ocupou, desde o tempo de Pombal, lugares vários de muito destaque. Foi amigo de Filinto -- um dos do Grupo da Ribeira das Naus -- e, como não poderia deixar de ser, dos beliscados n'Os Burros, do rabioso Padre Lagosta.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Prefácio a Histórias de Meninos, do Visconde de Vilarinho de São Romão

Mas o anticlericalismo ou antifradismo, nem gratuito nem demagógico, de Vilarinho de São Romão, que lhe deu algumas das suas melhores narrativas, não foi ele o primeiro a pô-lo em literatura entre nós. Lembremo-nos de Filinto, de tanta sátira metrificada de outros neo-clássicos, umas impressas, a maior parte jazendo até hoje inéditas. Por dar um exemplo, recorro a este soneto, achado numa miscelânea de 1813, «Aos Que São Religiosos por Força da Vontade dos Pais»:
Anda poupando o sórdido avarento,
Sem à boca ou vestido haver respeito,
Té se julga honrado e satisfeito
Se embestigou um filho num convento.
Entra o moço com grão contentamento
Um ano a trabalhar por ser direito,
no fim faz-se uma festa, e frade aceito,
Começa um novo estudo bolorento:
Uma filosofia tola e escura,
Uma vã teologia, e isto acabado
Entra a torpe ambição da prelatura.
Ele, e o pai, o reino têm roubado,
E esta capa de Deus e da clausura
De inúteis mandriões nos tem minado! (1)
(1) Poesias Particulares, de Diversos Autores. Anno MDCCCXIII, p. 142. Biblioteca Nacional, Res. Cod. 8582.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Prefácio a Histórias de Meninos, do Visconde de Vilarinho de São Romão - Pedro da Silveira

Realmente, em 1825, como ainda dez anos depois, mesmo escrevendo-se lá fora, como sucedia ao exilado Garrett, o Romantismo não era ainda possível para nós, não estávamos maduros, digamos, para ele nos ser prática. Como estética de grupo, ou de voz isolada, aqui faltava-lhe, por enquanto, o que só a revolução liberal vitoriosa pôde proporcionar: uma verdadeira atmosfera de liberdade. Do mesmo modo que também necessitavam dela obras neo-clássicas como a do Visconde de Vilarinho de São Romão, de outro modo condenadas a manuscritas e aferrolhadas em bem seguras gavetas, ou à circulação anónima, por cópias. Filinto, se pôde escrever e publicar livremente tudo o que escrevera, foi à custa de estar longe, amargando o exílio.

domingo, 23 de novembro de 2008

Prefácio a História de Meninos do Visconde de Vilarinho de São Romão - Pedro da Silveira

Sempre me pareceu estranho, custoso de engolir como verdade total e definitiva, que antes do Romantismo, em todo o período de à roda de oitenta anos da vigência entre nós do gosto neoclássico, não houvéssemos tido, de prosa de ficção, senão O Feliz Independente do Mundo e da Fortuna (1779). E tanto mais estranho quanto ia notando o crescer, desde cerca de 1780, de um real apetite ledor pelos textos narrativos, qual mo mostravam as datas quer das traduções em português, quer das edições originais francesas e, menos, inglesas, que fui topando em velhas bibliotecas domésticas nos Açores e aqui. Um dia, encontrei a não menosprezável Verdadeira História dos Sucessos de Armindo e Florisa (1803), de Rodrigo Marques, máscara heteronímica de Filinto Elísio,e, mais tarde, avulsas adaptações de contos-fábulas por José Agostinho de Macedo e Fialho de Mendonça. E continuei, continuo ainda, convencido de mais haver na babel da edição portuguesa do Século das Luzes, estilisticamente e no fundo alongado até quando a vitória dos liberais se tornou, em 1834, facto irreversível. Só que as buscas, largadas e retomadas várias vezes, não resultavam: os livros não apareciam, nem sequer, tolhidos nisto pela Real Mesa Censória, manuscritos. Até que, vai em vinte e cinco anos...

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