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terça-feira, 24 de março de 2009

Prefácio a Histórias de Meninos, do Visconde de Vilarinho de São Romão - Pedro da Silveira

E pronto (antes que isto tome por onde não deve...), vamos às Histórias de Meninos, estas que já tiveram o condão de deliciar o requintado e desprevenido gosto de Vitorino Nemésio. Com a esperança, minha, pelo menos, de virem a ter, agora reeditadas, mais leitores como ele.


PEDRO DA SILVEIRA


Visconde de Vilarinho de São Romão, Histórias de Meninos -- Para Quem não For Criança, Prefácio de Pedro da Silveira, Lisboa, Perspectivas & Realidades e Biblioteca Nacional, 1985, p. VII-XVI.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Prefácio a Histórias de Meninos, do Visconde de Vilarinho de São Romão - Pedro da Silveira

Já identificado o contista das Histórias de Meninos, Nemésio ainda pensou escrever sobre ele e o seu livro esquecido não obstante as duas sucessivas edições de 1834 e 1835. Como também imaginou representá-lo, com o tal conto do frade prenhe, numa projectada antologia, da qual chegou a falar numa crónica, de contistas, como diria Manuel bandeira, bissextos: desses que, com livro ou até sem ele, uma vez lhes aconteceu, em tema e realização, o grande achado. Mas nem uma nem outra coisa chegou a fazer -- e é pena, pois um daqueles seus ensaios breves mas iluminantes, como os do Conhecimento da Poesia antes saídos em jornais, que valem, mesmo divagantes, o que para sempre nunca darão os logogrifos dos filhos apanhadiços do gálico galimata Sr. Roland Barthes, bem melhor calhava aqui, substituindo-me, à recuperação do Visconde de Vilarinho de São Romão como contista. Mas, como ele não o fez... Ao menos, cumpra-se o do seu a seu dono. Que naquele tempo em que Nemésio me deu conta do seu achado, persistindo eu embora, como até hoje, em procurar a agulha em palheiro dos nossos narradores do Neoclassicismo, não conhecia o autor das Histórias de Meninos senão os livros pelos quais, mas cada vez menos, vem sendo lembrado: como a Memória Histórica e Analítica sobre a Companhia dos Vinhos, Denominada da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, onde vão beber, nem sempre o dizendo, alguns de nome respeitado entre os estudiosos da história económica.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Prefácio a Histórias de Meninos do Visconde de Vilarinho de São Romão - Pedro da Silveira

O seu a seu dono, não calhou a mim, mas a Vitorino Nemésio, a sorte do achamento. E fora, como me contou, que indo por aí uma tarde, e parando diante da mercadoria de um alfarrabista da rua, lhe aconteceu avistar no estendal um título que achou saboroso: Histórias de Meninos, para Quem não For Criança. Abaixou-se, pegou no livro, examinou-o a folhear, perguntou ao vendedor (talvez o seu amigo Evaristo, que antes tivera loja na Travessa da Queimada) quanto era. Sendo o preço razoável, ficou com ele. Já em casa, sentado a lê-lo, não tardou que desse por belamente aplicados os vinte ou pouco mais escudos do negócio. Pelo menos lá estava (não só!), no livro, cujo autor, nome omisso, se apresentava como um homiziado que sofreu o martírio de estar escondido cinco anos e dois meses» (o tempo da dura do reinado caceteiro desse que uma velha tia minha, pedrista assanhada, filha de um dos Mindelo com Torre e Espada ganha nas lides do cerco do Porto, chamava o Miguel da Carlota), lá estava, dizia, uma pequena obra-prima de humor: o conto do frade que se julgou prenhe.

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