domingo, 22 de fevereiro de 2009

Navegações dos Portugueses - Henrique Lopes de Mendonça

Foi isto em 1385. Mas só em 1411, pelo tratado de paz entre as coroas de Castela e de Portugal, a pequena nacionalidade ocidental pôde respirara com desafogo. E dentro em pouco cresceu o desejo de expandir, para fora das fronterias peninsulares, a actividade guerreira dos portugueses, inveterada após trinta anos de luta.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Praia - Sophia de Mello Breyner Andresen

No fundo da sala de baile havia um palco, onde os músicos tocavam, mas onde nunca se representava nada. Mas sabia-se que antigamente ali se tinha representado.

Prefácio a Histórias de Meninos, do Visconde de Vilarinho de São Romão

Mas o anticlericalismo ou antifradismo, nem gratuito nem demagógico, de Vilarinho de São Romão, que lhe deu algumas das suas melhores narrativas, não foi ele o primeiro a pô-lo em literatura entre nós. Lembremo-nos de Filinto, de tanta sátira metrificada de outros neo-clássicos, umas impressas, a maior parte jazendo até hoje inéditas. Por dar um exemplo, recorro a este soneto, achado numa miscelânea de 1813, «Aos Que São Religiosos por Força da Vontade dos Pais»:
Anda poupando o sórdido avarento,
Sem à boca ou vestido haver respeito,
Té se julga honrado e satisfeito
Se embestigou um filho num convento.
Entra o moço com grão contentamento
Um ano a trabalhar por ser direito,
no fim faz-se uma festa, e frade aceito,
Começa um novo estudo bolorento:
Uma filosofia tola e escura,
Uma vã teologia, e isto acabado
Entra a torpe ambição da prelatura.
Ele, e o pai, o reino têm roubado,
E esta capa de Deus e da clausura
De inúteis mandriões nos tem minado! (1)
(1) Poesias Particulares, de Diversos Autores. Anno MDCCCXIII, p. 142. Biblioteca Nacional, Res. Cod. 8582.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Navegações dos Portugueses - Henrique Lopes de Mendonça

Mas a ruína da nascente marinha portuguesa esteve a pique de se consumar de vez, com a perda da independência, durante a crise tumultuosa que se seguiu à morte de Rei D. Fernando. Foi depois de prolongadas lutas intestinas e de uma invasão empreendida pelo rei de Castela, pretendente à coroa de Portugal, que o trono veio a ser ocupado por um monarca eleito do povo, o Mestre de Avis, D. João I.

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